Quais as memórias que você tem sobre a sua infância e juventude, do bairro que nasceu, estudou, morou, trabalhou, enfim sobre suas experiências de vida na cidade de São Paulo?
Os trechos abaixo, foram retirados de depoimentos dados pelos idosos, que participam das Oficinas de Memória realizadas às quartas-feiras, na Estação Memória e representam apenas uma parcela da produção disponível.
Vamos conhecer um pouco dessas histórias!
“Quando eu tinha onze anos, nós nos mudamos para a Rua Evangelista Rodrigues, no Alto de Pinheiros. A rua era de terra, só havia uma casa perto da nossa, muito mato e muita vegetação.”
Maria José Leite de Souza
“Começou a fase dos namoros sérios. Os encontros eram marcados no centro da cidade, sob o relógio do antigo Mappin, para ir ao cinema e tomar um lanche. Os cinemas freqüentados eram no centro: Ipiranga, Marabá, Metro, Ópera e Marrocos.”
Yvonne Leoni B. Pasta
“Sou uma paulista caipira. Nasci e cresci no interior do Estado. Contudo, desde muito pequena fui conhecendo a magia dessa capital através de meu pai que fez a faculdade aqui e se apaixonou por ela.”
Marilena de A. Campos Rodrigues
“Havia sobre o túnel da Avenida Nove de Julho um grande salão, onde avistávamos a avenida e seus chafarizes. Lindos! Aos domingos, íamos à missa na Igreja do Divino Espírito Santo, onde fiz a primeira comunhão.”
Berenice Moreira Prates Bizarro
“Meu trabalho por mais de quarenta anos foi no comércio atacadista de frutas, no Mercado Municipal da Rua Cantareira, onde tive alegrias e tristezas, pois convivi com grandes enchentes nas épocas de chuva.”
Mariano Giffoni
“Éramos vizinhos do Monteiro Lobato, que morava na Avenida da Aclimação. As casas tinham quintal bem grande, muitas árvores, pomar. Adorávamos ir à casa do Lobato conversar, ouvir histórias e fartar de comer frutas no pé.”
Maiah Pinsard
“Na Rua Antonio Bento, passava o bonde camarão que ia para os Jardins atravessando o Largo São Francisco, próximo a Praça da Sé.”
Denise Oppenheim
“Eu ficava horas andando pela Rua Brigadeiro Luiz Antonio, Rua José Bonifácio, Senador Feijó, Largo São Francisco. Depois, já podia ir mais longe: Rua São Luiz, Praça da República, sempre observando tudo. Assim conheci a cidade.”
Berenice S. Guilherme
“... A partir daí minha vida gravitaria em torno do campus da Cidade Universitária da USP, Armando de Sales de Oliveira, que cresceu dentro de uma fazenda contígua ao Butantã.”
Claudio Tort Navarra
“Lembro-me muito bem da portuguesa que passava todos os sábados com o cesto na cabeça, vendendo flores da sua chácara. Na Vila Madalena moravam muitos artistas, vivendo em pequenas repúblicas ou em modestas casinhas: artistas de teatro, músicos e cineastas.”
Vilma Vella
“Nossa casa ficava imediatamente ao lado do que era então chamado Morro dos Ingleses, porque era morro mesmo, um declive escorregadio de terra vermelha até a rua de baixo, da qual era separado por um muro alto.”
Maria Júlia Pinheiro Lopes
“Pela Avenida Juriti, onde morávamos, passava as boiadas rumo aos matadouros da Vila Mariana ou de Pinheiros.”
Alda Ribeiro
“Algumas lembranças me fazem delinear o quarteirão do colégio, formado pelas ruas da Moóca, Carneiro Leão, Wandenkolk e outra cujo nome não me lembro: as procissões com saídas pela capela, na semana santa....”
Antonia de Souza Verdini
“Na minha história, a Biblioteca Pública Mário de Andrade foi ponto de referência muito precioso na busca para atingir a meta do vestibular. Do que eu precisava nessa época de tanto estudo preparatório? De livros que eu não podia comprar.”
Maria da Penha Cetira
“Continue pelo viaduto do Chá, pare no meio, debruce-se sobre o balaústre e olhe o Anhangabaú, veja na sua memória como era e como está. Era mais bonito? Não sei. Hoje está assim e é assim que o temos
Dirce Brogiolo
“Onde está o Cine Riviera, com os seus tripés de madeira, expondo fotos em branco
e preto dos próximos filmes a serem exibidos?”
Lenita Verri
“Depois da Rua Antonio de Queirós, minha família mudou-se para a Rua Porto Rico, no Jardim América.”
Sandra Vianna
“No local onde foi erguido o Shopping Iguatemi, existia uma belíssima chácara da família Matarazzo que ia até as margens do rio Pinheiros, com extensos jardins floridos e plantações, abrigando muitos pássaros.”
Ângela Elisabeth Bernardini Donelli
“Eu adorava ir ao cinema, tanto com meus pais, como com as colegas da escola. Lembro-me com saudades de todos os filmes daquela época e também das quermesses no Largo São José do Belém.”
Ilda Dias de Carvalho Passero Duarte
“Tomava o bonde aberto, na Teodoro Sampaio, onde o cobrador puxava uma corda para registrar a passagem paga – minha dúvida era: será que registrou a quantia certa?”
Giovanni Marino
“Em 1960, já com dois filhos fui morar num bairro loteado em 1958, chamado Parque Rebouças e que hoje está confinado com o Alto de Pinheiros e Vila Beatriz. No bairro, nada havia. Água e luz era sonho.”
Elizabeth R. Alves Sampaio
"Quando passo pela Rua Pelotas, onde eu morava, sempre me vem
a mente :
Ai que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!....."
Esther Stiel
“Depois que meu marido faleceu, fiz vários cursos com minhas amigas,
como pintura e cinema. No Museu Paulista, Ester e eu conhecemos a Maria Elza, que nos falou sobre a Estação Memória e aqui estamos nós.”
Gelsy Borges Teixeira
“Minha primeira lembrança é aos três anos, quando pela primeira vez fui ao cinema na “Confeitaria Guarany”, tomar sorvete, num domingo à tarde, com papai e mamãe. À minha frente, na parede branca, surpresa, vi Shirley Temple, da minha idade, sapateando. Nesse dia, o cinema entrou na minha vida e nunca mais saiu!”
Maria Elza de A. Mogadouro
“Em São Paulo, morávamos na Rua Prates, no bairro do Bom Retiro. Depois morei na Rua do Seminário. Estudava no Grupo Escolar Marechal Deodoro e no período que sobrava, eu trabalhava com meus pais no comércio. Vendíamos roupas, guarda-chuvas, capas....”
Mindla Grynkraut Hajczylewicz
“Eu e minha irmã mais velha, viemos da Itália, de navio em 1950 e meu pai estava nos esperando no porto de Santos. Fomos morar em São Paulo, no bairro do Jardim América. Depois de um ano, veio minha mãe e minha outra irmã.”
Anna M. Amato Nardelli
“Cheguei neste país, vinda da Espanha, em 08 de novembro de 1953. Na época de regressar ao meu país de origem, sofri um atropelamento e fui levada ao pronto atendimento do Hospital das Clinicas, aonde vim a conhecer o meu futuro marido, Naim Sauaia.”
Angeles Sauaia
In memorian
“Os cinemas eram muito concorridos e no Brás existiam excelentes salas de projeção. As principais eram o Roxy e o Universo, que nas noites de calor abria o teto e os espectadores, além de se refrescarem, ainda viam o céu estrelado.”
Álvaro Porfírio do Nascimento
“Nossa primeira casa ficava na Travessa São Paulo - verdadeiro fundilho da Rua dos Estudantes. Sem calçamento, sempre alagada pelas chuvas! A água vinha ladeira abaixo pela Estudantes e já encontrava uma lagoa formada na baixada pelas sobras do Tamanduateí transbordado.”
Júlia Helena Castilho Barone