segunda-feira, 17 de março de 2008

Foi com muita alegria que recebemos as manifestações de idosos e de jovens, sobre as comemorações do 10º aniversário da Estação Memória e sobre o blog.
O blog é para nós um instrumento de comunicação com o mundo, onde podemos contar sobre nossas atividades e convidar os interessados a conhecerem pessoalmente o nosso trabalho.

A Estação Memória realiza sistematicamente, as seguintes práticas culturais:

  • Às 4º feiras, a Oficina de Memória;
  • Na primeira 5º feira de cada mês, o Sarau Poético - dirigido aos que gostam de ler ou dizer poemas, do legado de autores preferidos ou de própria autoria. Coordenado pela Profª Antonia de Souza Verdini, é aberto ao público em geral;
  • Entrevistas com pessoas interessadas em contar suas histórias de vida, dando depoimento oral, que é gravado em fita cassete e incluído no acervo da Estação Memória. O grupo de idosos que assiste a entrevista, colabora com perguntas. A coordenação é da Profª Drª Ivete Pieruccini;
  • Encontros e palestras.

SARAU POÉTICO
No próximo dia 03 de abril, às 14h30 retornamos com os Saraus Poéticos, dando continuidade à nossa viagem pelo tempo da poesia.
Aberto ao público em geral, os Saraus Poéticos contam com a participação de jovens, adultos e principalmente idosos.
Venha participar, lendo ou dizendo seus poemas preferidos, compartilhando suas memórias e trocando significados com todo o grupo.
Traga amigos e interessados.
A Estação Memória fica na Biblioteca Pública Álvaro Guerra - Rua Pedroso de Morais, 1919 – Pinheiros – São Paulo – Brasil. Informações com Jamile – tel. 3031-7784.
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Quais são as suas memórias poéticas? Na seção comentários tem espaço para sua manifestação.
É so clicar no endereço abaixo.
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Saudades do arroz com feijão
Claudio Navarro*
Eu tinha uma cozinheira
Excelente quituteira.
Agora deu na mania
De estudar gastronomia
A minha vida mudou
O meu sossego acabou
O arroz e o feijão diário
Foi trancado num armário
Entraram pratos variados
Com nomes atravessados
E o manjar apresentado
Tem nome sofisticado
É comum falar francês
A batata que mais gosto
Agora é batata sautée
Ou batata fricassée
Mesmo que não pedi
Como pato ao tucupi
Todo prato tem seu molho
Pode ter nome criollo
E agora o peixe mais fresco
Vem com molho de romesco
E o peixe pirarucu
Servido com tiramissú
Usa cravo, canela, mel
E faz molho bechamel
Pois é, ela mostrou sapiência
Eu pago a experiência
É hora de inovação
E eu mereço compaixão.
Ganhei comida gulosa
Perdi comida gostosa
Essa é minha perdição
O simples arroz com feijão
Sumiu da circulação.

* Claudio Navarro tem 89 anos e participa das atividades da Estação Memória.

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A teia.
Toninha* 1972
O fio
crescente,
luzente,
em diagonais,
paralelas,
transversais,
forma o desenho,
as retas,
os ângulos fechados
do nosso acomodar.
Vários pontos
limitam o espaço vital.
A teia se firma
num frouxo alicerçar.
(Quem saberia o suporte ideal?)
E o fio
vai saindo,
de dentro,
partindo para o emaranhar.
Às vezes,
a luz lhe empresta tons de arco-íris.
Bonito perceber a dança dos matizes!
De repente,
uma intrusão,
um rotineiro gesto da natureza ...
pronto!
Destorcem-se ângulos,
desfazem-se retas, paralelas,
as transversais se perdem,
penduradas no fio.
E a teia
fica feia.
A luz passa depressa,
resvalando nos espaços vazios.
Mas ...
continua o fio,
vem de dentro.
vem crescendo,
num elaborar.
Os limites da teia,
o alicerce ...
de novo ... o recomeçar.
O vento
que ora derruba,
em momentos, parece música!
E há sempre a luz,
com profusão de cores,
percebidas,
apenas na medida
do nosso criar!

* Antonia de Souza Verdini, a Toninha é coordenadora do Sarau Poético, realizado na Estação Memória.